INSÔÔNIA.com
ACONTECEU COMIGO #50
maio
06
2014

Olá, lindos! Meu nome é Patrícia, tenho 25 anos, e eu quero contar o prejuízo de se colocar um homem na friendzone. Minha história tem um final feliz, mas poderia não ter…

No tempo do colégio, entrou um menino na mesma turma que eu. O nome dele é Henrique e ele era o maior nerd que se pode imaginar. Usava óculos, era meio gordinho, sentava na cadeira da frente, sempre respondia às perguntas dos professores, tirava notas altíssimas sem fazer nenhum esforço. Quem o visse imaginaria que se tratava de um cara metido a besta que acha que nós, meros mortais, somos indignos da sua presença, tipo o Sheldon do The Big Bang Theory. Mas o Henrique não. Ele era atencioso, carinhoso, um amor. Tá bom que era estranho aquele hábito dele de gostar de Dragon Ball, Pokémon, Guerra nas Estrelas, Os Simpsons, essas coisas que, desculpem os nerds de plantão, mas para mim são só coisa de criança. Mas, tirando isso, que até que é algo que dá pra conviver, ele era o melhor amigo que a gente pode ter.

Comecei a conversar com ele quando fui pedir ajuda com uma tarefa de matemática. Achei que ele ia posar de metido, dizer que era uma coisa fácil aquela tal de trigonometria, que eu era burra de não conseguir resolver aquele problema, mas não. Ele foi muito atencioso comigo. Perguntou onde eu não estava conseguindo fazer (que era a questão toda) e ele simplesmente explicou de uma forma que nem a professora conseguia. Sério, aprendi mais matemática e física com ele do que com todos os professores do Ensino Médio, do cursinho e da faculdade juntos. Eu o agradeci com um sorriso e ele deu outro em resposta. A partir daí começamos a conversar todos os dias. Percebi que eu era uma das poucas pessoas com quem ele falava. Ele parecia que tinha medo das pessoas. Todo mundo na sala ou tinha pena dele por ser tão isolado e com poucos amigos ou fazia bullying com ele. Ele queria ser notado, então fazia coisas dignas de pena, só para aparecer, tipo gritar palavrões ou fazer pose de bonitão, mas parecia alguém com uma auto estima muito baixa. Chegou a revelar para a turma toda que era boca-virgem, no auge dos 15 anos! Tudo bem que tem muitos meninos dessa idade que são, mas acho que nenhum deles vai querer revelar isso.

Mas eu gostava muito de conversar com ele. Era alguém que você sabe que vai falar alguma coisa mais inteligente do que a classificação do campeonato de futebol ou os dotes físicos de alguma vadia da TV. O Henrique era um cara de conteúdo, entende? Era alguém que você sabia que ia ouvir alguma coisa que prestava até o fim de uma conversa. Mas não era alguém que despertava o desejo de namorar. Por isso fiquei espantada quando soube que ele gostava de mim. Depois de um ano e meio que a gente conversava, descobri que ele se apaixonou. Ele não me contou, eu li no caderno dele. Quando a turma estava no recreio, eu fui ler o caderno dele atrás da lição de Física (sabia que ele não se importaria se eu copiasse) e encontrei um coraçãozinho escrito “Patrícia” dentro e uma caricatura minha em estilo mangá (muito fofinha, diga-se de passagem). Fiquei assustada, fechei o caderno e não comentei com ele. Quando ele voltou e viu que mexeram no caderno, não achou estranho porque os idiotas da sala de aula costumavam mexer no material dele, colocar lixo na mochila dele ou rasgar alguma página do caderno, então ele só folheou para ver se faltava alguma página e guardou o caderno de novo na mochila. Daí para frente, comecei a reparar no olhar dele ao me ver e percebi que a cada olhada era como se ele me dissesse “eu te amo” com todas as letras.

Mas depois de alguns meses ele me falou, todo vermelhinho, na hora do recreio. Ele me chamou num canto e eu, já desconfiada do que se tratava, fui. Tentei usar uma expressão facial que encorajasse ele a dizer o que queria, mas não sei se deu certo porque ele falou como se engasgasse. Disse apenas um “Eu gosto de você” fraquinho, num fôlego só. Percebi que ele só não havia dito antes porque não tinha coragem, parece que já sabia que ia levar um “não”. Mas acho que não suportava mais o silêncio, então arriscou de uma vez. Eu já tinha a resposta pronta. Não é por nada, mas uma adolescente não espera que seu príncipe encantado seja o nerd da carteira da frente. Arrependo-me até hoje de ter dado a famosa resposta para ele: “Gosto de você também, mas somos só amigos”, já vou explicar o porquê. Tentei fazer ele não se magoar comigo, porque, juro por Deus, eu gostava muito dele, mas não me despertava aquele desejo. Eu queria ver nele um homem para a mulher que estava crescendo em mim, mas não conseguia.

Então o tempo se passou. Namorei uns caras, mas nunca contei para o Henrique porque não queria ferir os seus sentimentos. Ele continuava a me ajudar nas tarefas, partilhar sua vida comigo, fazíamos trabalhos juntos, até fui na casa dele, conheci a família dele e ele veio na minha casa também, mas nada aconteceu. Também sinto que algo entre nós havia mudado. Ele nunca mais tocou no assunto e eu também não. A gente se formou no colégio e depois tentamos manter contato, mas não se passou nem dois meses e nunca mais vi o Henrique por quatro anos.

Eu me formei em arquitetura. Para quem nunca gostou de matemática, as ajudas do Henrique me tornaram apta a dominar a matemática a ponto de poder fazer um curso como arquitetura, que sempre gostei. Fiz algumas amizades, namorei alguns caras, mas nenhum deles demonstrou gostar de mim como meu antigo colega que coloquei na friendzone. Então, solteiríssima e ainda na faculdade, na flor dos meus vinte e um anos, fui convidada por alguns amigos para uma festa. Falaram que estaria lá um homem muito lindo do meu círculo de amigos que já fazia tempo que eu estava a fim, o Cauê. Era do tipo que a Gi coloca aqui no Cat Monday, parecia saído das revistas ou das telas de cinema. Ele também mostrou que estava a fim de mim, então aquela festa era a chance que eu tinha. Mas era uma festa cheia de gente desconhecida e, quando eu chego lá, qual a minha surpresa ao encontrar o Henrique!

À primeira vista, nem parecia ele. Ele havia feito uma cirurgia a laser que permitiu que tirasse os óculos e emagrecera muito. Não era tão bonito quanto o Cauê, mas estava bem mais atraente que no tempo do colégio. Fui falar com ele e percebi que outras coisas haviam mudado. Seu sorriso tinha uma masculinidade e uma segurança que não estavam lá quatro anos atrás. Ele ficou surpreso em me ver e já começamos a conversar. Ele ainda era um gênio, estudava Engenharia Elétrica na Federal e só não estava prestes a se formar porque tinha acabado de voltar de um intercâmbio na França. Tinha muito mais conteúdo que antes. Trocamos os números de celular e combinamos de nos falar. A conversa com ele foi tão boa que até me esqueci do Cauê. Mas fiquei triste porque ele não pareceu interessado em mim. Então, quando eu saí para pegar uma bebida e voltei, ele estava na maior conversa com uma vadia ruiva que estava com o decote que parecia que os peitos iam saltar em cima dele. Ele pareceu nem notar a minha presença e pouco depois os dois estavam agarrados. Não sei por que me deu tanta fúria, acho que era porque nunca imaginaria o Henrique beijando alguém. Então, para me vingar, fui atrás do Cauê e, em poucos minutos, a gente estava agarrado também.

Daí minha maior decepção: eu estava com tanta raiva que fui para a cama com o Cauê na mesma noite. Quando ele tirou a calça, percebi uma coisa horrível: ele tinha o pinto fininho! Sério, parecia uma agulha! Tipo, eu não estava transando, tava tomando injeção! A camisinha parecia que ia soltar! Me arrependi amargamente daquilo. O apartamento do Cauê era perto do lugar da festa então nós demos uma rapidinha e voltei para a festa para descobrir que o Henrique estava fazendo com a vadia ruiva o mesmo que eu estava fazendo com o Cauê. E, quando eles voltaram (o apartamento do Henrique também era próximo), pela cara da vadia, o Henrique não tinha pinto de agulha. Lembrei que eu tinha visto de relance no colégio quando os idiotas abaixaram a calça dele no recreio, mas não apareceu tudo e eu também desviei o meu olhar porque não queria que meu amigo passasse por mais vergonha que aquilo. Mas confesso que, naquela noite, fiquei arrependida de ter desviado o olhar.

Felizmente, a relação do Henrique com a vadia só ficou naquela festa. Resolvi que meu antigo colega na friendzone deveria sair de lá. Liguei para ele no dia seguinte. Ele ficou surpreso que eu ligasse e a gente marcou de jantar na terça-feira. O Henrique estava mesmo muito diferente, me falou das viagens que fez, das namoradas que teve (brevemente, acho que só para eu perceber e valorizar o que havia perdido naqueles anos), do emprego que lhe era prometido com aquele currículo invejável. Quando eu falava com ele do tempo do colégio, ele queria desconversar. Depois vim a descobrir que ele se culpava por não ter tido algumas atitudes naquele tempo como dar um murro bem na cara daqueles valentões idiotas e me chamar para sair e que, por isso, não queria conversar sobre aquele tempo. No fim daquele encontro, para a alegria dele (e a minha) demos nosso primeiro beijo. E então vi novamente o olhar do rapaz adolescente apaixonado, só que agora no corpo de um homem. Fiquei muito feliz!!

Começamos a namorar. Já digo que entendi o porquê da satisfação da ruiva, já que o Henrique não tem mesmo pinto de agulha. Ele sabe satisfazer uma mulher, com direito a café na cama e banho quente. Namoramos por quatro anos e hoje estamos noivos. Vamos nos casar em outubro, já compramos casa e móveis e estamos planejando a vida juntos. Eu quis contar minha história porque digo que um homem como o Henrique é o tipo de homem que a gente quer para a vida inteira. Arrependo de não ter dado uma chance para ele na adolescência, de não ter perdido a virgindade com ele, mas felizmente o universo me deu uma segunda chance. Por isso digo que, se você colocou seu amigo na friendzone, por favor, reconsidere sua decisão! Você pode estar perdendo um companheiro valioso e pode não ter a mesma sorte que eu tive de poder voltar atrás. Vai encontrar um pinto de agulha que só te dará injeção, mas nunca te fará uma mulher de verdade!

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