E aí, corujas?

Cabular aula é mais que uma prática: é uma tradição milenar, passada de pai para filho e que há muitas gerações acompanha a humanidade. Meus avós cabularam aula e ensinaram meus pais, que me ensinaram. Mas as gerações futuras correm um sério risco de não conhecer a doce sensação de sair da escola mais cedo enquanto todos os outros continuam estudando.

É, isso mesmo. Alguém muito FDP em Samambaia-DF está criando uma forma de evitar que os alunos “matem aula”. É um chip implantado no uniforme dos alunos que, ao ser ativado pelo sensor presente na porta da escola, envia mensagem de texto para o celular dos pais. Ou seja, cada vez que o aluno passar pela porta o pai ficará sabendo. Assim fica fácil controlar o horário exato em que o filho entrou e saiu da escola. Aí é só calcular o tempo que o infeliz fica dentro do colégio e ver se ele tem saído mais cedo com muita frequência. E dizem que o sistema é protegido contra “trapaças”: se por acaso algum esperto tirar a camisa e pedir para o colega entrar no colégio com duas camisas, por exemplo, o sistema detecta a entrada de dois alunos no mesmo momento, e identifica que ali pode ter havido uma fraude.

Exagero? Inteligente? Bom, como era de se esperar o sistema já gerou polêmicas. Tem pais que concordam, alunos que discordam e outros alunos que não estão nem um pouco preocupados com isso. Mas brincadeiras à parte (só esclarecendo: meus pais nunca me ensinaram a cabular aula e não, eu não acho que isso seja certo), não sei se fiscalizar o horário exato de entrada e saída é a melhor forma de fazer alguém permanecer na escola. Quem sabe se o Estado criasse uma forma de ensino mais interessante, não tão cansativa como as aulas de filosofia atuais, seja uma boa alternativa, não? Escola deve ser lugar de curiosidade, onde a pessoa sente vontade de ir. Qualquer coisa além disso é prisão. Inclusive com chip e tudo!

Bai! @wesleytalaveira

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